quinta-feira, 30 de junho de 2011

Motivo

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.                           
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada."
 
Cecília Meireles

Cai a Chuva, ainda...

Enquanto a chuva não nos abandona, mesmo aqui na terra do sol (SC), uma música de gaúchos...

"Deixa a chuva cair
Que eu quero me molhar
Deixa o som me levar
Cai a chuva, beira do mar
Tudo está no seu lugar"


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Qual o seu tom...

Hoje, uma tarde chuvosa e fria em SC, num café, lendo um livro de Lya Luft, considerando meu estado CINZA de espírito - como muitos já devem ter notado -, talvez decorrentE das atuais mudanças radicais pelas quais estou passando, li um trecho que achei interessante e, portanto, compartilho com vocês, que dizia o seguinte:

"[...] Ele acha graça, então escritor procura o tom? Rimos, porque acabamos descobrindo que os dois buscamos a mesma coisa: encontrar o nosso tom. O da nossa linguagem, da nossa arte, e - isso vale para qualquer pessoa - o tom da nossa vida. Em que tom a queremos viver? (Não perguntei como somos condenados a viver.)
Em meios-tons melancólicos, em tons mais claros, com pressa e superficialidade ou alternando alegria e prazer com momentos profundos e reflexivos.
Apenas correndo pela superfície ou de vez em quando mergulhando em águas profundas.
Distraídos pelo barulho em torno ou escutando as vozes nas pausas e nos silêncios - a nossa voz, a voz do outro.
Nosso tom será o de suspeita ou desconfiança ou serão varandas abrindo para a paisagem além de qualquer limite?
Parte disso depende de nós.
No instrumento de nossa orquestração somos - junto com fatalidades, genética e acaso - os afinadores e os artistas. Somos, antes disso, construtores de nosso instrumento. O que torna a lida mais difícil, porém muito mais instigante. [...]" (Perdas & Ganhos, Lya Luft)

Assim, apesar de hoje achar que meu tom está mais para preto e branco do que qualquer outra cor, sei que vou achar o tom que falta, pois é isso que pretendo. Afinal, parte de tudo o que acontece com a gente depende de nós mesmos, não é?
Então, todos temos que achar esse tom, ser o afinador e o artista como Lya Luft menciona. É preciso pensar e crer (não que seja muito fácil), que nada é por acaso, e que por mais impossível que pareça, há sempre uma flor colorida que nasce em meio das pedras.

Paciência...

"Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida."

"Afinal, há é que ter paciência,
dar tempo ao tempo,
já devíamos ter aprendido,
e de uma vez para sempre,
que o destino tem de fazer muitos rodeios
para chegar a qualquer parte."

terça-feira, 28 de junho de 2011

Apresentação

Bom, comecei do avesso, com postagens para depois apresentação, Olhar 33 tem por escopo dar o meu ponto de vista sobre os vários momentos da vida. Esse ponto de vista através de imagens, versos, fotos, textos e tudo aquilo que me passar pela mente. Então aproveitem, comentem o que quiserem e me mandem o que pensam também! 

Momentos...

Todos os momentos da vida refletem em nossos sentimentos de uma forma ou de outra. Há momentos que extravasamos alegrias outros estamos mais tristes. Eu prefiro classificar em momentos/fases coloridas e cinzas. Assim, em alguns estamos mais felizes do que tristes e em outros o inverso. 
Compartilho com vocês um texto de Lya Luftt, que fala do coração...


"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."


Quando a Chuva Passar ...

Essa música (Paula Fernandes - Quando a Chuva Passar ) espelha bem algum sentimentos pelos quais todos passamos!