Hoje, uma tarde chuvosa e fria em SC, num café, lendo um livro de Lya Luft, considerando meu estado CINZA de espírito - como muitos já devem ter notado -, talvez decorrentE das atuais mudanças radicais pelas quais estou passando, li um trecho que achei interessante e, portanto, compartilho com vocês, que dizia o seguinte:
"[...] Ele acha graça, então escritor procura o tom? Rimos, porque acabamos descobrindo que os dois buscamos a mesma coisa: encontrar o nosso tom. O da nossa linguagem, da nossa arte, e - isso vale para qualquer pessoa - o tom da nossa vida. Em que tom a queremos viver? (Não perguntei como somos condenados a viver.)
Em meios-tons melancólicos, em tons mais claros, com pressa e superficialidade ou alternando alegria e prazer com momentos profundos e reflexivos.
Apenas correndo pela superfície ou de vez em quando mergulhando em águas profundas.
Distraídos pelo barulho em torno ou escutando as vozes nas pausas e nos silêncios - a nossa voz, a voz do outro.
Nosso tom será o de suspeita ou desconfiança ou serão varandas abrindo para a paisagem além de qualquer limite?
Parte disso depende de nós.
No instrumento de nossa orquestração somos - junto com fatalidades, genética e acaso - os afinadores e os artistas. Somos, antes disso, construtores de nosso instrumento. O que torna a lida mais difícil, porém muito mais instigante. [...]" (Perdas & Ganhos, Lya Luft)
Assim, apesar de hoje achar que meu tom está mais para preto e branco do que qualquer outra cor, sei que vou achar o tom que falta, pois é isso que pretendo. Afinal, parte de tudo o que acontece com a gente depende de nós mesmos, não é?
Então, todos temos que achar esse tom, ser o afinador e o artista como Lya Luft menciona. É preciso pensar e crer (não que seja muito fácil), que nada é por acaso, e que por mais impossível que pareça, há sempre uma flor colorida que nasce em meio das pedras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário